sexta-feira, 16 de março de 2012

Os guardiões dos livros !

      Por meio de um decreto federal, surgiu nos porões da Biblioteca Nacional o primeiro curso de Biblioteconomia do país e o terceiro do mundo. Criado no dia 11 de julho de 1911, o curso só começou a funcionar mesmo em 1915, e desde então passou por constantes reformas, que acompanharam as mudanças na concepção do que é ser bibliotecário. Este mês, para relembrar essa história, a BN promove uma série de comemorações em parceria com a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), sede do aniversariante desde 1970.
      Um dos destaques será uma mostra com obras do século XVI ao XX dos mais conhecidos autores mundiais da área, na Divisão de Obras Raras, a partir do dia 11. A exposição ganhará um catálogo digital e será apenas uma parte da festa. Além dela, será realizado um seminário na BN, no dia 12 deste mês, em que bibliotecários e pesquisadores relembrarão os passos dados pelo curso ao longo do século, e também visitas guiadas à instituição em horários especiais. Para o ano que vem, os funcionários preparam uma publicação sobre a história do aniversariante em número especial dos Anais da Biblioteca Nacional. “Com isso, queremos fomentar as relações entre a BN e a Escola de Biblioteconomia da Unirio”, diz Ana Virgínia Pinheiro, chefe da Divisão de Obras Raras.
      No início, as aulas eram mantidas com o objetivo de formar funcionários para trabalhar com o acervo da fundação: ser bibliotecário era ser um erudito, conhecedor e bom organizador do acervo específico para auxiliar o leitor que ali chegasse para fazer determinada pesquisa. Com o passar do tempo, a ideia mudou. O curso foi incluído no ensino superior, foi reformulado e ganhou novas disciplinas, para o estudo de outras áreas de conhecimento. A concepção da profissão se renovava e a proliferação de graduações em Biblioteconomia pelo país incentivava ainda mais a regulamentação do ofício, ligado à organização, análise e gestão de informação.
      “A partir dos anos 1970, passa-se a querer profissionais capazes de lidar com usuários que apresentam necessidades específicas. Além disso, só se formavam bibliotecários para bibliotecas públicas e escolares. O foco se deslocaria cada vez mais da biblioteca e das técnicas e métodos de sua organização para o usuário e seus modos de lidar com a informação”, explica Marcos Miranda, professor do curso da Unirio.
      Hoje, existem 39 cursos de Biblioteconomia no país, formando profissionais para atuar não só na organização, análise e tratamento de livros, mas também com publicação e informação de qualquer natureza, incluindo a digital.

--> Texto publicado no site Revista de História.com.br
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